SINOPSE




Em seu romance de estréia, Maria de cada porto, Moacir C. Lopes conta a pungente história de um grupo de náufragos cinco dias à deriva no mar juntando esforços para continuarem vivos. Em Onde repousam os náufragos, vai além: não é a própria morte que seus personagens precisam evitar, mas o desaparecimento de um navio que deu sentido a suas existências.

O velho cargueiro Jaraguá, há onze anos encalhado no manguezal à margem do delta do Beberibe, além de cargas, transportou passageiros e histórias, algumas comoventes, outras de arrepiar. Quando seu afundamento é decidido, todos os que passaram por suas cobertas se levantam. Não é, como à primeira vista parece, apenas um monte de ferro velho que pretendem defender: é preciso preservar aquela base para o infinito reencontro de desejos e de destinos.

Entre outros romances, Moacir C. Lopes escreveu A ostra e o vento e O Almirante Negro (Revolta da Chibata - a vingança). É autor, também, do Guia prático de criação literária. Além de retomar o tema que o consagrou como “romancista do mar”, em Onde repousam os náufragos sugere que, também sob a linha-d’água, a realidade pode ser transformada pela memória ou pela magia.

Moacir C. Lopes é autor de As fêmeas da Ilha de Trindade; A ostra e o vento; Maria de cada porto; O Almirante Negro; Por aqui não passaram rebanhos; Onde repousam os náufragos e Guia prático de criação literária.


TRECHO DO LIVRO

A beleza é eterna, Lorena, se ela fica gravada em nossa memória, no instante em que a contemplamos, num rosto, num olhar e num sorriso como os seus, ou na tela de um grande pintor, num poema, numa prece, numa página lírica de amor, ou mesmo numa fotografia, eterniza-se no momento em que foi criada. Assim, Dario pensou ao contemplá-la, e até baixou a cabeça para ela não decifrar a intensidade do seu pensamento. Também ela baixara a cabeça, e ainda rolavam uns pingos de lágrimas, porque ambos, agora, voltam a ser a página lírica de amor.

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